“Cala boca e me escuta. Eu ensaiei muito tempo até conseguir falar tudo sem engasgar, gaguejar ou sem querer vomitar logo em seguida. Você me desmorona. Você é a mina que me tem pra logo em seguida falar que não quer nada comigo. Tá me entendendo? Você não coloca fé nenhuma em mim - e eu te entendo - mas você tem que acreditar quando eu digo que você é a única com um poder absurdo sobre mim. Eu sei que não faço nada direito, que não te mereço, que não mereço nem que você esteja aqui me ouvindo agora. Acontece que eu sou um desgraçado, mas um desgraçado que se importa com você. Um desgraçado que larga tudo em plena quarta-feira porque precisa te ver. Por mais que você negue e bate os pés para dizer não. Eu nunca quis tanto alguma coisa ou alguém, como eu quero você. E eu sei, essa é a hora em que você cita minha ex-namorada, as transas, os porres… E eu digo que a culpa de tudo isso é sua. Sim, sua. Quando você está por perto eu não preciso de bebidas, nem de mulheres, nem de dinheiro ou de qualquer outra coisa… Mas se você some, o que me resta? Viu, a culpa é sua. Você bate o pé e diz para todo mundo que não é nada minha, e eu bato o pé e digo na sua cara que você é a minha mina. Minha, porra. Ouço trocentas pessoas dizendo que não presto, dizendo que não mudaria meu jeito de ser nunca, mas, cara, nunca achei ninguém que me fizesse ser diferente: até achar você. E eu sei que to diferente, porque eu só penso, só quero e só preciso de você. E olha, não adianta fingir indiferença e agir como se me odiasse, nem mesmo tentar fugir. Suas tentativas de fuga sempre foram um fracasso épico, você sabe. Em um segundo você age como se me odiasse e no outro implora por mim. E tudo bem, porque eu tô aqui implorando por você. Essa coisa de amor fode com a cabeça da gente, percebeu? Depois de tanto tempo você continua sendo a única menininha irritante que tem aquele sorrisinho tímido no rosto que me faz ser um filha da puta apaixonado. É por isso que eu sempre volto. Eu procuro o nosso nada, na esperança de que você me deixe transformar-lo em alguma coisa. Mas você sempre foi cabeça-dura demais pra deixar. E agora, como eu faço isso? Como se começa uma coisa que já começou a tanto tempo atrás? Tenho que ajoelhar e te pedir pra ficar comigo ou a gente só se abraça e pula pro banco de trás? Tanto faz. Agora, pra sempre: você é minha mina.”
— Relatos de um filha da puta.